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Confirmado! CSD mantém as licenças de Olmo e Pau Victor

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O Conselho Superior de Esportes (CSD) tomou uma decisão final sobre o recurso apresentado pelo FC Barcelona em 7 de janeiro de 2025, confirmando que as licenças dos jogadores Dani Olmo e Pau Victor são válidas. Esta falha, que foi emitida em 3 de abril de 2025, coloca um ponto final a um processo que começou quando a Liga e a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) decidiram desinscrever ambos os jogadores. Argumentaram que o FC Barcelona não cumpriu os prazos e requisitos econômicos necessários para seu registro, de acordo com as normas de controle econômico e o artigo 130.2 do regulamento da RFEF, que proíbe inscrever um jogador duas vezes no mesmo clube durante a mesma temporada.

A situação foi ainda mais aplicada porque o FC Barcelona defendeu que a desincrição não foi uma decisão do clube, mas uma ação unilateral da Liga, e que haviam apresentado toda a documentação necessária dentro do prazo estabelecido (31 de dezembro de 2024). Isso levou o CSD a dar uma medida cautelar em 8 de janeiro de 2025, permitindo que Olmo e Victor jogassem enquanto o assunto foi resolvido. Agora, com esta resolução definitiva, o CSD reafirmou sua posição inicial, mantendo as licenças dos jogadores.

Análise da Situação

  1. Cronologia do Conflito:
    • Desincrição Inicial: A Liga e a RFEF descreveram Dani Olmo e Pau Víctor em 4 de janeiro de 2025, argumentando que o FC Barcelona não cumpriu as normas de controle econômico e que os jogadores não podiam ser registrados novamente na mesma temporada após terem sido dados de baixa previamente.
    • Recurso do FC Barcelona: Em 7 de janeiro, o clube apresentou um recurso de alçada de 52 páginas, acompanhado de mais de 60 documentos, solicitando uma medida cautelar urgente para suspender a desincrição.
    • Medida Cautelar do CSD: Em 8 de janeiro, o CSD decidiu dar uma medida cautelar que permitia aos jogadores continuar competindo enquanto se clarificava o fundo do assunto. Esta decisão baseou-se no “interesse público” e no direito dos jogadores a seguir com sua carreira esportiva, especialmente tendo em conta que Olmo é um internacional espanhol e que o FC Barcelona estava em plena participação na Supercopa da Espanha.
    • Pressione e Reacções: ALiga e a RFEF, juntamente com clubes como Las Palmas e Athletic Club, mostraram seu desacordo com a medida cautelar, argumentando que o CSD agiu com “celeridade incomum” e sem lhes dar oportunidade de apresentar alegações. A Liga até recorreu ao Contencioso Administrativo para anular a medida cautelar.
    • Resolução Final: Em 3 de abril de 2025, o CSD resolveu a favor do FC Barcelona, mantendo as licenças de Olmo e Victor, com o argumento de que a Comissão de Acompanhamento da Convenção RFEF-LaLiga não tinha competência para desinscrever os jogadores.
  2. Impacto no FC Barcelona:
    • Deportivo: A resolução garante que Dani Olmo e Pau Víctor continuem jogando com o FC Barcelona até o final da temporada, algo que é fundamental para a equipe de Hansi Flick, sobretudo em torneios como LaLiga e a Champions League. No entanto, é importante mencionar que Dani Olmo está atualmente lesado (desde 27 de março de 2025, após um partido contra Osasuna), o que restringe sua participação no curto prazo.
    • Económico: A decisão evita um “grave dano econômico e desportivo” para o clube, tal como indicou o CSD em sua medida cautelar. A baixa dos jogadores teria impactado o planejamento esportivo e a reputação do clube, além de provocar possíveis perdas econômicas ao não poder contar com dois jogadores fundamentais.
    • Legal e Precedente: Este caso poderia marcar um antes e um depois no futebol espanhol, pois o CSD pôs em dúvida a autoridade da Comissão de Acompanhamento RFEF-LaLiga para decidir sobre as licenças. Isto poderia levar a uma revisão das normas vigentes, especialmente do artigo 130.o2, que o FC Barcelona assinalou como antiquado.
  3. Reações e Controversia:
    • Apoio ao FC Barcelona: O clube e seus seguidores estão de festa pela decisão, que apoia sua crença de que cumpriram os prazos e que a desincrição foi uma medida injusta por parte da Liga. Joan Laporta, o presidente do FC Barcelona, não pôde esconder sua alegria e o demonstrou com gestos públicos após a medida cautelar, mesmo fazendo um corte de mangas que foi captado pelas câmaras.
    • Críticas da Liga e Outros Clubes: ALiga, a RFEF, e equipes como Las Palmas e Athletic Club manifestaram sua desacordo com a decisão do CSD, argumentando que põe em perigo as normas de controle econômico e a equidade na competição. A Liga destacou que a transação de 100 milhões de euros pela venda de palcos VIP no Spotify Camp Nou não foi aprovada como ingresso para 2024 pelo novo auditor do Barça, o que, segundo eles, complicava a inscrição dos jogadores sob a regra de 1:1 do fair play financeiro.
    • Postura da RFEF: A RFEF, embora crítica, adotou um tom mais conciliador, indicando que trabalhará junto à LaLiga para analisar o contexto e tomar decisões, mas mantendo que haviam cumprido o regulamento.

Razões pelas quais o CSD apoia o FC Barcelona

O CSD tem apoiado o FC Barcelona neste processo por várias razões legais, esportivas e de interesse público, que se seguem:

  1. Incompetência da Comissão de Acompanhamento:
    • O CSD determinou que a Comissão de Acompanhamento da Convenção RFEF-LaLiga não tem autoridade para recusar licenças federativas nem para desinscrever jogadores. Na sua resolução final, o CSD salientou que a Comissão “não confirmou, nem ratificou, nem executou os acordos que tinham sido adoptados pela Liga ou pela RFEF, mas decidiu claramente “não conceder o visto prévio nem a licença definitiva solicitada pelo FC Barcelona”. Isto pode ser considerado uma “nuidade de pleno direito”, uma vez que a Comissão passou das suas funções, que só abrangem a interpretação e supervisão da Convenção RFEF-LaLiga, sem poder tomar decisões executivas sobre licenças.
  2. Conformidade de Prazos por parte do FC Barcelona:
    • Segundo o CSD, o FC Barcelona apresentou toda a documentação necessária para cumprir as normas de controle econômico antes de 31 de dezembro de 2024. A Liga informou o clube sobre o acordo do órgão que valida os orçamentos em 3 de janeiro de 2025, mas o CSD sustenta que o clube agiu a tempo. Esse aspecto vai contra o que argumentavam LaLiga e a RFEF, que diziam que a documentação foi entregue tarde.
  3. Direito ao Trabalho dos Jogadores:
    • O CSD tomou sua decisão com base no artigo 27.o da Lei do Desporto, que assegura aos atletas profissionais o direito “a uma carreira esportiva de acordo com suas capacidades” com todas as garantias e certezas. A desincrição de Olmo e Victor poderia ter gerado “perjuícios imediatos e difíceis de reparar”, afetando sua segurança jurídica e sua habilidade para competir, especialmente tendo em conta que Dani Olmo é um jogador internacional espanhol e que sua falta poderia ter influenciado na Seleção Espanhola.
  4. Interesse Público e Daño ao Futebol Espanhol:
    • O CSD argumentou que não adotar a medida cautelar (e manter as licenças) teria provocado um “grave prejuízo econômico e desportivo” tanto para o FC Barcelona quanto para seus jogadores. Além disso, isso teria prejudicado os interesses da Seleção Espanhola e de competições nacionais, como a Supercopa da Espanha. A participação do FC Barcelona em eventos de grande visibilidade, como a Supercopa, também foi um fator chave na decisão, pois o CSD considerou que a exclusão dos jogadores poderia ter danificado a imagem do futebol espanhol a nível mundial.
  5. Falta de Transparência no Processo de Liga e RFEF:
    • O CSD expressou preocupação com a falta de transparência no processo de desincrição. A resolução cautelar foi tomada sem que a Liga ou a RFEF tivessem a oportunidade de apresentar seus argumentos, o que provocou críticas por parte destas organizações. Apesar disso, o CSD defendeu que as decisões da Comissão de Acompanhamento não tinham um apoio jurídico sólido, e na sua resolução final não abordou o controlo económico da Liga, deixando claro que essa responsabilidade recai no Órgão de Validação dos Orçamentos da Liga e, em segundo lugar, no seu Comité de Controlo Económico.
  6. Encerramento do Mercado das Peças:
    • Um aspecto fundamental que influenciou a decisão do CSD foi o encerramento do mercado de inverno em 3 de fevereiro de 2025. Se o CSD tivesse tomado uma decisão negativa após essa data, Olmo e Victor teriam ficado sem contrato federativo e não poderiam ser inscritos por nenhum clube até a próxima janela de fichagens. Isso teria sido contra os princípios da medida cautelar e poderia ter causado danos irreparáveis às suas carreiras.

Perspectiva Crítica: É Justa a Decisão do CSD?

Embora o CSD tenha apoiado o FC Barcelona, a decisão não está isenta de controvérsia. Do ponto de vista crítico:

  • A Favor do FC Barcelona:
    • A decisão resguarda os direitos dos jogadores, assegurando que não tenham que carregar com as consequências de um conflito administrativo entre o clube e a Liga. Dani Olmo e Pau Victor não são responsáveis diretos da gestão econômica do FC Barcelona, e sua desincrição teria sido uma sanção excessiva.
    • O CSD tem atuado com uma abordagem centrada no “interesse do desportista”, como apontou em seus comunicados, o que poderia sentar um precedente positivo para futuros casos semelhantes.
    • A operação de 100 milhões de euros pela venda de palcos VIP do Spotify Camp Nou, embora questionada pela Liga, foi apresentada dentro do prazo, e o CSD validou que o clube cumpriu os requisitos formais.
  • Em Contra do FC Barcelona:
    • A Liga e outros clubes argumentam que a decisão do CSD prejudica as normas de controle econômico que garantem a sustentabilidade financeira do futebol espanhol. Permitir ao FC Barcelona inscrever os jogadores sem validar completamente as receitas da operação dos palcos VIP poderia sentar um precedente perigoso, dando vantagem a clubes que não cumprem estritamente com as regras.
    • A “celeridade incomum” com a qual o CSD agiu na medida cautelar, sem dar audiência à LaLiga ou à RFEF, tem sido criticada como uma possível falta de imparcialidade. Isso alimenta a percepção de que o CSD, dependente do Governo de Pedro Sánchez, poderia ter favorecido o FC Barcelona por motivos políticos ou de interesse público, em detrimento da equidade competitiva.
    • Clubes como Las Palmas e Athletic Club assinalaram que esta decisão gera “incertidumbre” sobre o futuro do futebol profissional espanhol, pois contradiz os princípios de um sistema de controle econômico que foi “admirado internacionalmente” por salvar clubes históricos da ruína.

Conclusão


O CSD apoiou o FC Barcelona no assunto de Dani Olmo e Pau Victor, priorizando o direito dos jogadores a trabalhar e questionando a autoridade da Comissão de Acompanhamento RFEF-LaLiga para desincretá-los. Esta decisão fundamenta-se em argumentos jurídicos sólidos, como a possível nulidade das acções da Comissão e o cumprimento dos prazos por parte do clube, além de considerar o interesse público, como o impacto na Selecção Espanhola e nas competições nacionais.

No entanto, esta resolução não resolve as tensões subjacentes entre o FC Barcelona, LaLiga e a RFEF, e poderia ter repercussões a longo prazo nas normativas do futebol espanhol. Enquanto o FC Barcelona celebra esta vitória, outros clubes e a Liga veem nesta decisão um precedente que poderia enfraquecer o controle econômico e a equidade na competição. O caso de Olmo e Víctor não foi apenas um culebrão administrativo, mas também um reflexo das complexas dinâmicas de poder no futebol espanhol, onde os interesses desportivos, econômicos e políticos muitas vezes chocam.